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Conhecer para preservar

Natália Shimada

Cientistas do Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IPJB-RJ) concluíram que o pau-brasil nativo de Búzios tem estrutura genética que difere das de outras cidades do país. Paulo Ferreira, associado do IPJB-RJ e professor do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e a botânica Mônica Cardoso concluíram a análise da estrutura genética do tipo de pau-brasil encontrado em Búzios e concluíram que o pau-brasil nativo da cidade fluminense apresenta diferenças bastante significativas em relação aos exemplares de outras cidades do país.

O resultado da pesquisa aponta para a conservação dos tipos de pau-brasil encontrados em Búzios. “Nossa filosofia é conhecer para conservar”, afirma Paulo Ferreira. “Precisamos ter argumentos para pleitear a conservação de determinadas espécies”. Esta análise apenas comprovou estudos anteriores. No início desta década, pesquisas realizadas pelo IPJB-RJ incentivaram a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) do Pau-Brasil em Búzios, que abrange 12 mil metros quadrados de reserva. A inovação deste último estudo foi o uso de marcadores moleculares mais precisos, os microssatélites nucleares, que fornecem resultados com maior exatidão.

Paulo Ferreira avalia que, por não haver muita utilidade prática para o pau-brasil, as pessoas não costumam dar valor à planta. “No entanto, a sobrevivência das espécies está intimamente ligada à existência de outras”, lembra o pesquisador. A destruição de espécies quase desconhecidas também pode impossibilitar a utilização destes vegetais para fins medicinais e outros. Além disso, o pau-brasil é uma árvore símbolo do país, encontrado apenas na quase extinta Mata Atlântica.

Nem mesmo os órgãos governamentais respeitam o decreto que criou a APA de Búzios. A área está hoje ameaçada devido aos loteamentos imobiliários. Construções civis continuam o avanço sobre a mata protegida. No final de março, algumas casas foram demolidas porque estavam localizadas no topo de um morro localizado em uma área de proteção permanente. No entanto, a licença para construí-las havia sido concedida pela Secretaria de Planejamento do município.

O estudo desenvolvido pelo IPJB-RJ faz parte da biologia da conservação, a ciência que estuda a biodiversidade e o manejo sustentável dos recursos naturais.

19/05/2008

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