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Carrapatos contra o câncer

Pesquisadores do Laboratório de Hemostase e Venenos da UFRJ verificaram que uma proteína isolada de carrapatos tem ação intensa sobre melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele, e glioblastoma, um tumor no cérebro. Patenteada nos Estados Unidos, esta proteína, o Ixolaris, mostrou-se eficaz pois conseguiu reduzir em 80% o crescimento desses dois tipos de tumores em camundongos.
 
O Ixolaris foi isolado, pela primeira vez, por José Marcos Ribeiro e Ivo Francischetti, pesquisadores brasileiros radicados atualmente no National Institute of Health (NIH, na sigla em inglês). Os dois trabalham em colaboração com o cientista Robson Monteiro, do Laboratório da UFRJ.
 
A equipe do pesquisador Monteiro é responsável pela aplicação da proteína isolada de carrapato em camundongos. Ao ser injetada em animais com tumores, o Ixolaris se liga a uma outra proteína do plasma, o Fator dez, envolvido no processo de coagulação sanguínea. Essa ligação entre as duas proteínas ocorre com grande afinidade e interfere tanto nos processos de coagulação como também na progressão dos tumores.
 
O pesquisador explica que a maioria dos pacientes com câncer tem um desequilíbrio na coagulação, com tendência a formação de trombos, algo aparentemente relacionado com a agressividade dos tumores. Sendo o Ixolaris um potente inibidor da coagulação sanguínea, pode interfere tanto no avanço dos tumores quanto na coagulação sanguínea excessiva dos pacientes.
 
Os ensaios com animais foram realizados com cinco a dez camundongos que receberam a proteína por 15 dias, no caso do melanoma, e por 30 dias, para tratar os glioblastomas. Nos dois casos os animais foram tratados por via subcutânea. Isso mostra que é uma substância que pode ser aplicada, no futuro, pelos próprios doentes, caso se mostre realmente eficaz.
 
Hoje, o grupo da UFRJ trabalha em colaboração com cientistas da Universidade de São Paulo, da Fiocruz e do Instituto norte-americano numa rede para estudar quais os mecanismos responsáveis pela redução da progressão dos tumores. Robson Monteiro acredita que o próximo passo serão os testes clínicos em humanos, mas ressalta que este salto só será possível se houver uma parceria com uma empresa da área de biotecnologia para produção do Ixolaris em escala semi-industrial.

 

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