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Bioqrunners: uma equipe de corredores e bioquímicos

Por Cília Monteiro

Correr é um exercício aparentemente simples, praticado no Brasil por cerca de quatro milhões de pessoas. No entanto, alguns pesquisadores do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da UFRJ perceberam, ao praticarem o esporte de maneira informal, que a maioria dos corredores desconhece os conceitos básicos de fisiologia, metabolismo e biomecânica que são fundamentais para garantir um bom e seguro desempenho ao atleta. Pensando em amenizar esse problema, eles fundaram, em 2009, a equipe Bioqrunners, que agrupa corredores que também são bioquímicos. Assim, eles pretendem criar uma área com informações sobre o tema no site do IBqM (www.bioqmed.ufrj.br).

O grupo atualmente possui oito componentes, todos do IBqM, com diferentes formações profissionais: de biólogos a nutricionistas. Essa diversidade será fundamental para o site. “Nossa ideia é trocar experiências esportivas e científicas, além de servirmos como fontes de esclarecimento a esportistas leigos”, conta Mário Alberto Cardoso da Silva Neto, vice-diretor do IBqM e membro dos Bioqrunners. Em novembro do ano passado, os Bioqrunners disputaram a 1ª Maratona Pão de Açúcar de Revezamento do Rio de Janeiro, realizada no Aterro do Flamengo.

Cada integrante do grupo decide seu próprio programa de treinamento e o que considera mais relevante para disponibilizar pela internet. Renato de Paulo, corredor da equipe e pesquisador do Laboratório de Química Fisiológica da Contração Muscular do IBqM, já deu o exemplo: ele escreveu o artigo “Pé no chão ou no tênis?”, onde discute o papel do calçado no desenvolvimento ósseo do ser humano e no desempenho de atletas. Este será um dos primeiros conteúdos a ser publicado no site, quando a área dos Bioqrunners for criada.

Segundo Renato, o arqueologista Erik Trinkaus afirma ter determinado a época em que os primeiros calçados foram fabricados pela espessura dos ossos do pé. Uma explicação para isso é que quem anda descalço naturalmente toca o chão com os dedos e desenvolve ossos mais grossos. Já o uso dos tênis modernos, que aumentam a superfície de contato com o solo, reduz a utilização dos dedos e gera ossos mais finos e menos resistentes.

No artigo, Renato ainda diz que 75 a 80% dos que usam tênis durante a corrida tocam o solo primeiro com os calcanhares, o que provoca impacto e pode causar dor. Já a maior parte das pessoas que correm descalças tende a pisar o chão com a frente do pé (pisada frontal). Desta maneira, aplica-se mais força na panturrilha e nos músculos dos pés, o que possibilita uma pisada mais suave. Sendo assim, a pisada frontal seria uma boa alternativa biomecânica também a quem corre calçado.

O pesquisador afirma que o calçado normal permite o caminhar sem obrigar ao desenvolvimento adequado das estruturas musculoesqueléticas do pé, resultando em pés fracos em relação à massa que suportam. E o hábito de correr impactando o calcanhar no chão possivelmente foi provocado pela perda da percepção corporal que o calçado causa. Renato de Paulo deixa claro que não há consenso sobre a melhor forma de correr, mas o que não pode é ficar parado. Novos adeptos à equipe dos Bioqrunners podem escrever para maneto@bioqmed.ufrj.br ou renatodepaulo@yahoo.com.br.

24/03/2010

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