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Um mês de homenagens

Marina Verjovsky

Outubro foi glorioso para o Instituto de Bioquímica Médica. Seu fundador, Leopoldo de Meis, recebeu duas importantes homenagens, uma da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e outra da Academia Nacional de Medicina (ANM). No dia dois de outubro recebeu o título de Professor Emérito da UFRJ e, uma semana depois, tomou posse como Membro Honorário Nacional da ANM. Os títulos representam o reconhecimento da profícua carreira de Leopoldo como pesquisador e educador.

A emerência na UFRJ

Durante a emerência, o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, comentou sobre a honra de lhe conceder o título. "Acho que todos aqui concordariam que o professor Leopoldo já era emérito há muitos anos". Lembrou que Leopoldo já fazia extensão mesmo antes que a UFRJ tivesse qualquer estrutura para isso e ressaltou que sua contribuição para a educação no país deveria ser um exemplo a ser seguido pelos outros acadêmicos da universidade.

Antônio Paes de Carvalho, que é professor emérito da UFRJ e foi um dos primeiros orientadores de Leopoldo na UFRJ, lhe concedeu as boas-vindas ao corpo de professores eméritos da instituição. Em sua palestra, afirmou que, ao receber Leopoldo em seu laboratório, logo percebeu que ali estava um colega bioquímico que teria uma carreira de sucesso. "Ele me pediu apenas um metro quadrado de mesa para trabalhar e dela construiu o seu império", afirmou. "Tudo o que Leopoldo fez e faz obedece às suas forças internas e não para agradar os que o cercam". Depois, comentou sobre sua paixão pela arte e como isso influenciou sua atividade na universidade. "Ele nos mostrou que trabalho é trabalho, arte é arte, mas, divertido mesmo é juntar tudo numa única atividade e personalidade".

No mesmo dia, a diretora do IBqM, Débora Foguel, em sua homenagem, ressaltou que Leopoldo é ilustre e emérito para muito além dos muros da UFRJ e para a história da ciência e da educação. Citou três ensinamentos que aprendeu com Leopoldo. O primeiro é a receita para curar um sonho: nos permitir ter mais sonhos sem nos intimidarmos com os obstáculos. "E por que não, filhão? Esta é a provocação reflexiva que recebemos do nosso querido mestre". O segundo ensinamento é um forte espírito de equipe e o terceiro é a valorização dos jovens.

Depois, Leopoldo comentou que acompanhou o crescimento da universidade e que a liberdade que ela oferece lhe permitiu fazer coisas que não estavam no currículo, como trazer estudantes de graduação para dentro do laboratório. Então, questionou quem aprendeu mais - se os alunos com ele ou ele com seus alunos. "Não sei quem aprendeu mais, mas me diverti muito ao longo destes anos".

A posse na ANM

Na sede da Academia Nacional de Medicina, Leopoldo de Meis recebeu a medalha e o diploma de membro emérito, em meio a uma sessão solene, que também comemorava os 200 anos da Faculdade Nacional de Medicina da UFRJ.

O presidente da ANM, Marcos Moraes, ressaltou que outorgar o título de honorário a Leopoldo é também uma homenagem à própria Faculdade de Medicina, onde Leopoldo se formou e hoje lidera na UFRJ um dos mais importantes grupos de pesquisa do país.

O pesquisador Ricardo Brentani, membro da ANM, afirmou que a academia se engrandece recebendo-o como membro. Brentani falou sobre a atividade científica de Leopoldo e sua importante atuação como professor e orientador. Também ressaltou seu pioneirismo na cienciometria do país, como o 1º a medir o impacto da nossa produção científica.

Leopoldo agradeceu o privilégio de pertencer à Academia Nacional de Medicina e lembrou que a ciência surgiu com a medicina. Então, fez um apanhado da história das duas áreas e suas inúmeras intercessões e fatos curiosos. Por fim, afirmou que o grande desafio da universidade agora é utilizar o saber como agente civilizador. "Os nossos iluministas acenderam no Brasil as primeiras luzes que se espalharam, mas ainda há muitas áreas escuras. Se conseguirmos superar este desafio deixaremos de ser homo sapiens-sapiens e passaremos a ser humanos".

 

28/10/2008

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