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IBqM promove cursos de férias a distância

Priscila Biancovilli

Inspirada nos cursos de férias desenvolvidos pelo professor Leopoldo de Meis, do Instituto de Bioquímica Médica, a professora Andrea Thompson Da Poian, do Laboratório de Bioquímica de Vírus do mesmo Instituto, desenvolve há dois anos um trabalho de capacitação de professores de ciências de escolas de ensino básico para ministrar estes cursos em pólos no interior dos estados do Rio de Janeiro e do Pará. O treinamento ocorre a distância, mas os participantes dispõem de uma boa infraestrutura local, com laboratórios e salas de aula, e uma plataforma interna de comunicação online.

“Aqui no Rio de Janeiro, aproveitamos a estrutura dos pólos do Consórcio do Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cederj), graças a uma parceria estabelecida com a coordenação do Curso de Ciências Biológicas”, explica Andea. Os pólos são disponibilizados para esse trabalho durante a semana e nas férias, pois apenas são ocupados pelos cursos de graduação a distância quase que exclusivamente nos fins-de-semana, quando os alunos realizam suas atividades práticas. “Em um primeiro momento, oferecemos o curso de férias presencial, tanto na UFRJ quanto na Universidade Federal do Pará (UFPA). Em seguida, através das ferramentas a distância, damos recursos para que os tutores montem seus próprios cursos de férias, nos mesmos moldes.”

No Rio de Janeiro, já foram ministrados cursos nos municípios de Três Rios e Paracambi, que atenderam, em média, cerca de 100 alunos cada e mais quatro cursos estão programados para julho deste ano, em Angra dos Reis e Volta Redonda. No Pará, a proposta é semelhante: a colaboração com um grupo da UFPA, busca atuar junto às populações ribeirinhas do município de Oriximiná. Muitos professores do ensino básico trabalham longe dos grandes centros urbanos e não têm acesso a uma estrutura universitária. Assim, é oferecida a eles uma oportunidade de desenvolver e aplicar métodos criativos e inovadores de ensino de ciência. “Neste semestre estamos treinando a primeira turma de tutores do Pará, a distância. Semestre que vem eles ministrarão seus cursos de férias para os alunos, contando sempre com nosso suporte”, enfatiza a professora.

A ideia é que esses professores consigam, com o tempo, caminhar com os próprios pés. No início dos seus trabalhos, entretanto, a equipe de Andrea oferece bastante suporte para que os tutores consigam guiar a didática do curso de férias de maneira apropriada. Com o tempo e a experiência, este acompanhamento deixa de ser necessário.

Cursos de férias

Os cursos de férias surgiram em 1988, criados pelo professor Leopoldo de Meis. Ao invés de se estruturar dentro da conhecida hierarquia mestre-aprendiz, em que o detentor do conhecimento transmite a informação de maneira verticalizada, as aulas funcionam de maneira contrária. "Lá, são os estudantes que respondem às próprias dúvidas, através de experimentos científicos", afirma De Meis.

A proposta é estimular o pensamento crítico dos estudantes, acabando com a noção de que o professor é dono da verdade absoluta. O projeto voltado aos professores mostra que eles também podem fazer ciência dentro da sala de aula, simplificando a transmissão do saber através das experiências adquiridas no curso - relata o professor.

Só na UFRJ, o curso já recebeu aproximadamente 2.600 alunos de 600 escolas públicas. A satisfação é tão grande que boa parte deles repete a dose nos cursos do semestre seguinte

 

28/05/2009

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