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Curso Experimental para Surdos – uma nova proposta educacional

Priscila Biancovilli

Inclusão social de uma parcela excluída da população. Este era o objetivo da professora Vivian Rumjanek, do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM), ao criar o Curso Experimental de Curta Duração para Surdos, iniciado em 2005 como um projeto-piloto. Inspirado nos cursos de férias do IBqM, os alunos são estimulados a enxergar a ciência a partir de uma nova perspectiva, sem formalidades ou decorebas. Ao invés disso, os estudantes respondem às suas próprias dúvidas através de experimentos científicos, guiados por monitores.

Entre os dias 4 e 8 de maio deste ano, a sétima turma do curso pôde conhecer e entender mais sobre DNA. Os 18 alunos participantes – todos estudantes do ensino médio – se reuniam em grupos e listavam uma série de questões relacionadas ao tema que julgavam mais interessantes. “Cada grupo pôde contar com intérpretes de LIBRAS, a ajuda de monitores, que são alunos de pós-graduação da Bioquímica, e também de agentes educacionais, pessoas surdas que auxiliam na comunicação entre os professores, os monitores e os alunos”, explica Paula Martins, uma das monitoras. A linguagem utilizada pelo grupo é a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) que teve sua origem na Língua de Sinais Francesa.

Antes do curso, os intérpretes participam de um curso bastante aprofundado sobre o tema em pauta, justamente para que eles saibam traduzir com precisão termos científicos pouco comuns. “Estamos elaborando uma série de glossários em LIBRAS. Coletamos e agrupamos novos sinais criados durante o curso e, principalmente, durante a vivência dos estudantes surdos aqui no laboratório. Os alunos de maior destaque dos cursos experimentais são convidados para participar de um estágio conosco, em que eles podem conhecer a ciência ainda mais de perto. Até agora, já oferecemos estágios a oito alunos”, alegra-se Vivian Rumjanek.

Nesta última turma, os alunos participavam ativamente das discussões, criando com rapidez um grande número de perguntas. “É muito interessante perceber que, apesar do silêncio durante as discussões, não estamos em um ambiente calmo. O que vemos aqui é um silêncio inquieto, curioso. Os monitores às vezes ficam até confusos com tantas perguntas ao mesmo tempo!”, afirma Gabriel Machado, outro monitor do curso.

Entre as perguntas escolhidas estavam: “Onde se localiza o DNA?”, “O DNA forma uma pessoa de bebê até adulto?”, “Existe diferença entre o DNA de humanos, plantas e adultos?”, entre outras. Logo no primeiro dia, os grupos começavam a responder às perguntas usando materiais diversos, como amostras de sangue humano, plantas e frutas. Um dos grupos tentava descobrir se havia diferença entre as células sanguíneas de duas pessoas diferentes, e observavam atentamente ao microscópio amostras de sangue de dois monitores. Enquanto isso, outro grupo buscava encontrar DNA em espécies vegetais.

“Há muito tempo me preocupo com a questão dos surdos, porque, diferente dos cegos ou dos cadeirantes, a deficiência deles não é visível. Há poucos mecanismos de inclusão social para este grupo. Numa sociedade de ouvintes, como a nossa, ser surdo é extremamente difícil”, comenta Vivian.

O laboratório da professora, no momento, conta com quatro estagiários surdos. “Infelizmente, devido à falta de suporte financeiro, não pudemos contratar estagiários desta última turma. Mas esperamos que essa realidade mude em breve”, finaliza a professora.

 

25/05/2009

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