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Chagas em gibi

Suellen Jnoubi

Ao completar um centenário desde sua descoberta, a doença de Chagas ganha um gibi didático voltado para crianças de oito a 12 anos. Idealizado pelo vice-diretor do IBqM, Mário Alberto Cardoso da Silva Neto, a revistinha tem como intuito não só ampliar o conhecimento dos jovens, como também incentivar o interesse pela ciência.

De acordo com Cardoso, a ideia surgiu quando se notou a importância social e o grande lado histórico que a doença de Chagas reúne. Em paralelo, identificou-se também sua importância pela explosão de conhecimento gerado por grupos de pesquisa em bioquímica de insetos, principalmente, no Brasil, fomentado pelo interesse por essa doença. “Dentre diversos aspectos, como essa liderança brasileira na área, percebemos que a produção do gibi poderia ser um canal no ano do centenário para atrair crianças para a bioquímica de insetos. Além disso, pesou também na decisão pela iniciativa a trajetória de mais de 20 anos do IBqM na dedicação a projetos de extensão, que resultaram na participação de 1000 crianças no curso de insetos transmissores de doenças”, lembra ele.

Gibi

Apesar do domínio brasileiro nessa esfera de conhecimento, constatou-se através de pesquisas, uma alarmante insuficiência no aprendizado de crianças na faixa etária de 14 a 19 anos, a respeito dos conceitos básicos sobre a transmissões de doenças. Além disso, há a problemática relacionada a falta de ferramentas para atrair o público infantil, de baixa renda, para o campo científico. “Crianças socialmente desfavorecidas se excluem. É importante que haja a compreensão de que todos podem ser cientistas, se encontrarem os canais certos e estudarem”, acredita Cardoso.

O gibi faz parte do projeto Transplantando liderado pelo grupo do Vice-Diretor do IBqM, no qual transplantou-se um laboratório de ciências para dentro de uma escola municipal carente de recursos. “Ao contrário dos cursos de férias, o Transplantando vive pra sempre na escola, como um órgão transplantado vive pra sempre no corpo do paciente. Fazemos aulas práticas na escola Anízio Teixeira, com insetos, auxiliados pelos nossos materiais didáticos, dentre eles o gibi. E,graças ao apoio da Faperj, reformamos o laboratório da escola”, conta.

Ilustrado por Gustavo Bartolomeu, estudante da Escola de Belas Artes da UFRJ, o gibi apresenta o personagem Barberine. Por meio das ilustrações com as aventuras do inseto barbeiro, explica-se de maneira divertida e esclarecedora como a doença de Chagas é transmitida, as reações do organismo quando infectado e os feitos científicos de pesquisadores brasileiros. “O barbeiro é um inseto didático, por ser grande e colorido por dentro. Além de ser fácil de ser dissecado. É uma forma agradável de discutir bioquímica”, explica.

O gibi teve a tiragem de 2.500 exemplares e já começará a ser distribuído, incialmente, na escola municipal Anízio Teixeira. Entretanto, há a intenção de estender o projeto Transplantando para outros pólos educacionais. “Na Anízio Teixeira, estamos de forma intensiva, mas caso haja interesse, qualquer escola pode nos chamar. Antigamente não tínhamos material para deixar nessas escolas que visitávamos, agora temos o gibi”,comemora o professor.

 

24/11/2009

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