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Reunião discute genoma de Chagas

Por Ana C. P. Gandara

Entre os dias 10 e 13 de dezembro se realizou no Rio de Janeiro uma reunião de pesquisadores de seis instituições brasileiras, além de países como Argentina, Canadá e Alemanha para discutir o transcriptoma do barbeiro Rhodnius prolixus, um tipo de sequenciamento que revela exatamente quais genes estão atuando em determinadas condições fisiológicas. Este vetor da doença de Chagas teve seu código genético revelado recentemente, porém só agora chegaram ao transcriptoma.

“A descoberta de genes alvo permite o desenvolvimento de métodos alternativos de controle. Para o Aedes aegypti, por exemplo, estamos perdendo a guerra” explica o pesquisador Pedro Lagerblad de Oliveira, pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica, envolvido nesse projeto. O uso futuro de inseticidas específicos baseado em genes determinantes de processos vitais do animal é uma das grandes aplicações práticas que seriam realizadas a partir do genoma. Os inseticidas são o único meio atual para o controle dessa doença na América Latina, local em que ela prevalece e ainda é um grande problema de saúde pública.

Sequenciar um genoma significa identificar todos os genes presentes em um organismo que, por sua vez, permite os cientistas estabelecerem possíveis funções que ele pode realizar. O estudo ainda não foi publicado, mas a partir das informações que serão disponibilizadas, os pesquisadores podem desenvolver novas estratégias para o controle desses insetos, já que essa doença ainda não tem cura. Além disso, pode-se monitorar a mudança de perfil de genes de resistência ao longo do tempo assim como entender sua biologia básica.

A transmissão dessa doença foi bastante diminuída aqui no Brasil devido a um efetivo programa de controle de outra espécie, Triatoma infestans. Porém, os barbeiros que escaparam desse controle na região sudeste, subiram para o norte do país, deslocando outras espécies locais para o ambiente domiciliar. Lagerblad prevê assim, o ressurgimento de potenciais vetores para a doença. Apesar de não ser o principal vetor aqui no Brasil, o barbeiro Rhodnius prolixus é importante na América Central em que a doença de Chagas afeta milhões de pessoas.

O projeto do genoma do Rhodnius prolixus foi realizado na Universidade de Washington e financiado pelo National Institutes of Health, nos EUA. A ideia de sequenciar esse inseto surgiu em 2003, em uma reunião com vários cientistas no Uruguai, época em que o genoma do mosquito vetor da malária Anopheles gambiae estava pronto e do Aedes aegypti, vetor da dengue e febre amarela urbana, quase finalizado.

“A gente abriu a caixa e estamos tentando agora ver o que tem dentro dela para entender como as coisas interagem e o bicho funciona”, explica Lagerblad.

18/12/2009

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