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Laboratório Sonda analisará DNA mitocondrial

Priscila Biancovilli

Até dezembro de 2008, o Laboratório Sonda, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, receberá um analisador automático de DNA, aparelho que aumenta a rapidez do processamento dos testes. A tecnologia do aparelho permite que se realize tanto a técnica de seqüenciamento de DNA quanto a genotipagem.

A genotipagem consiste em buscar marcas que são características do indivíduo. Isso significa que se conseguirá analisar determinadas seqüências e padrões em vários cromossomos diferentes que são característicos apenas daquele indivíduo. Graças a essa técnica é possível traçar vínculos familiares ou mesmo estabelecer identidades, como no caso de um crime, por exemplo. Uma simples guimba de cigarro pode conter resquícios de saliva que, analisados, permitem a identificação de um suposto criminoso. Qualquer pequeno fragmento de sangue, saliva, sêmen ou qualquer material líquido ou tecidual de um organismo vivo torna possível a identificação, explica Franklin Rumjanek, coordenador do Sonda.

“Além dessas vantagens, o novo aparelho pode realizar seqüências que vão ser utilizadas para outros projetos desenvolvidos pelo Sonda. Podemos realizar, por exemplo, o seqüenciamento do DNA mitocondrial. Um de nossos estudos supõe que este DNA sofre mutações que são pré-disponentes ao câncer. Isso vale para todos os tumores sólidos que se conhece hoje em dia. Queremos fazer análises desta estrutura em pessoas com câncer e comparar isso com a população normal. Esse estudo é bastante interessante, porque ainda não se sabe o que é causa e o que é efeito. Ou seja, não se sabe se a mutação do DNA mitocondrial causa o câncer ou se aparece em função de um tumor estabelecido”, afirma ele.

O novo aparelho custou em torno de 92 mil dólares, pagos com recursos da Faperj. Com a subida repentina do dólar, porém, o dinheiro da Fundação Carlos Chagas Filho de Apoio à Pesquisa do Rio de Janeiro se tornou insuficiente. “Mas a pós-graduação do IBqM se prontificou a pagar a diferença”, atesta Rumjanek. Esse aparelho é um dos mais utilizados atualmente em laboratórios de biologia molecular, mas hoje existem outros princípios de seqüenciamento de DNA que amplificaram tremendamente o poder informativo deste tipo de análise. A idéia é que o laboratório comece com este aparelho e avance tecnologicamente no futuro, caso haja financiamento disponível. “Esse novo equipamento estará disponível não apenas para nosso laboratório, mas para todos os interessados no IBqM”, Rumjanek.

Sonda - Núcleo de excelência em exames de DNA, o laboratório Sonda surgiu em 1993, época em que não havia muitos centros realizando este tipo de serviço. “Manter um laboratório é uma atividade cara, explica Rumjanek. Na época, o financiamento para pesquisas ainda era bem restrito. Estávamos preocupados com essa situação, mas resolvemos trabalhar dentro desta área da biologia molecular, pois achamos que seria oportuno explorar este ramo”.

Graças ao Sonda, pode-se afirmar que a UFRJ foi a primeira instituição pública a alojar um serviço de paternidade e identidade no Brasil. Desde então, o laboratório tem se dedicado cada vez mais a este tipo de atividade, com boa reputação tanto entre os clientes particulares quanto na área judiciária, que também lança mão desse tipo de serviço.

“Na realidade, usamos uma técnica mais ou menos padronizada por todos os laboratórios de análise de paternidade. Porém, isso não quer dizer que todos prestem um serviço de igual qualidade. Isso porque a técnica não vem sozinha, mas sim acompanhada por idoneidade e domínio dos aspectos genéticos teóricos que envolvem este tipo de análise”, esclarece o professor. Além disso, deve-se ter conhecimento, por exemplo, na área genética de populações (que inclui a análise de dados estatísticos e probabilísticos), porque a interpretação do laudo é feita com base nesse tipo de estudo.

A análise mais comum, de uma mãe e filho(a) que querem avaliar um suposto pai, custa hoje R$ 700,00 reais. “Esse preço tende a cair, uma vez que a técnica ficará cada vez mais automatizada”, comemora Rumjanek.

O Sonda não só atua na prestação de serviços, mas recebe estudantes interessados em progredir academicamente dentro dessa área de genética forense. Uma das atividades do laboratório é receber e treinar estudantes nesse campo. Os alunos interessados devem procurar o professor Franklin através do e-mail franklin@bioqmed.ufrj.br ou pelo telefone 2560-5570, além, é claro, dos contatos pessoais.

 

14/11/2008

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