::: NOTÍCIAS :::

 

Prêmio em dose dupla
Pesquisa sobre Alzheimer recebe dois prêmios neste ano

Natalia Shimada

A pesquisadora do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da UFRJ, Fernanda De Felice, recebeu, no início do mês de maio, o Young Scientist Prize, concedido pela Academia do Mundo em Desenvolvimento (na sigla em inglês, TWAS-Rolac) e que contemplou quatro jovens pesquisadores da América Latina em diferentes áreas do conhecimento. De Felice recebeu o prêmio na área de Ciências Médicas e da Saúde.

Ela já havia recebido, em abril, outro importante prêmio, o Career Development Award, concedido pelo Human Frontier Science Program (HFSP). A cada ano, o programa seleciona cientistas de todo o mundo, baseado no alcance global da pesquisa e no potencial para resultados relevantes. Os escolhidos recebem financiamento para desenvolver seu trabalho por três anos. Até hoje, De Felice foi a única pesquisadora brasileira a receber esse prêmio, que fornece o investimento de 300 mil dólares em suas pesquisas.

O trabalho que chama tanta atenção da comunidade científica estuda o Alzheimer, doença neurodegenerativa que causa, entre outros sintomas, a perda da memória.

A equipe do Laboratório de Neurobiologia estuda o porquê de o Alzheimer ser uma doença de perda de memória. Para isso, investiga os oligômeros do peptídeo beta-amilóide, toxinas que colam nos neurônios e os atacam. Esse ataque provoca a retração dos dendritos e a perda de receptores importantes para a memória, além de produzir a formação excessiva de radicais livres nos neurônios. Tudo isso dificulta a comunicação entre as células do cérebro. De Felice e sua equipe comprovaram, através de experiências com cérebro de ratos, que os oligômeros se dirigem sempre à região da memória. O desafio é descobrir por que as moléculas só atacam essa região e não a motora ou a da visão, por exemplo.

A pesquisadora do Instituto estuda, ainda, a correlação recém-descoberta entre a diabetes tipo 2 e o Alzheimer, que leva os diabéticos a terem chances ainda maiores de desenvolver a doença. Isso porque também ocorre a resistência à insulina no cérebro de pacientes com Alzheimer, causando o que alguns pesquisadores têm chamado de diabetes tipo 3. A diminuição no nível de glicose no interior dos neurônios também está ligada à perda da memória.

O grupo pretende determinar se drogas utilizadas para o tratamento da diabetes tipo 2 bloqueiam os efeitos maléficos dos oligômeros sobre os receptores de insulina no cérebro. Resultados recentes obtidos por eles mostram que a insulina é capaz de prevenir este impacto em culturas neuronais. O próximo passo é a realização do mesmo teste em animais com a doença de Alzheimer.

Mais casos neste século - A doença está relacionada à velhice e se desenvolve em 13% das pessoas com mais de 65 anos e em quase metade das que têm mais de 85. Com o aumento da expectativa de vida, cada vez mais pessoas apresentarão sintomas como esquecimento, alucinação, mudança de personalidade e dificuldades de comunicação. Estima-se que na metade do século XXI, uma pessoa desenvolverá Alzheimer a cada 33 segundos, nos Estados Unidos. Por isso, a preocupação em torno do tema é tão grande.

11/06/2008

UFRJ
IBqM UFRJ/CCS/Bl. H,
Cid. Universitária - Ilha do Fundão
Cep 21.941-590 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Tel. +55 21 2562-6789 / Fax. +55 21 2270-8647