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Novas pistas para doenças neurodegenerativas

Priscila Biancovilli

Um gene ainda pouco estudado, chamado de Lister, pode revelar novas pistas sobre o surgimento de doenças neurodegenerativas. Uma pesquisa realizada em conjunto pelos Instituto de Pesquisa Scripps (TSRI), a empresa de biotecnologia Phenomix e o Instituto de Genômica da Fundação de Pesquisa Novartis (GNF), dos Estados Unidos, do qual fez parte o professor Claudio Masuda (IBqM), deu o primeiro passo no estudo das funções desse gene.

A principal contribuição do trabalho foi descrever em camundongos a relação deste gene com o funcionamento do sistema nervoso. “Identificamos uma linhagem de camundongos que era mutante nesse gene, e os animais apresentavam diversas patologias, especialmente neuromotoras, que se assemelham a algumas doenças encontradas nos seres humanos, como a esclerose lateral amiotrófica. O ser humano possui um gene muito semelhante ao estudado na pesquisa”, afirma Masuda.

O curioso é que, assim que os camundongos nasciam, não era possível diferenciar os animais normais dos mutantes. Mas, à medida que eles envelheciam, os sintomas surgiam gradualmente, numa sintomatologia parecida com a maioria das doenças neuromotoras humanas. Percebeu-se que os camundongos, com o passar do tempo, começavam a perder mobilidade, coordenação, e ficavam com as patas traseiras paralisadas, entre outros sintomas.

Ubiquitinação

O professor Claudio Masuda participou deste projeto quando realizava um pós-doutorado no grupo liderado pelo professor Cláudio Joazeiro, no GNF. “Nosso principal foco de estudo era o processo de ubiquitinação de proteínas. Uma proteína chamada ubiquitina pode ser ligada a várias outras proteínas na célula, no processo denominado ubiquitinação. Dependendo de qual proteína e de como ela está sendo ubiquitinada, isso pode servir como sinal para que a célula degrade a proteína. Porém, nem todas as proteínas ubiquitinadas necessariamente serão degradadas. Algumas podem apenas mudar de lugar na célula, por exemplo”, explica.

Nesse projeto, o grupo descobriu que o gene em questão gera uma proteína ubiquitina ligase, que participa diretamente do processo de ubiquitinação. “Junto com o laboratório do Dr. Steve Kay (TSRI), nos Estados Unidos, caracterizamos os fenótipos desse animal mutante, para descobrir a fundo o que acontecia no organismo dos camundongos durante o processo de envelhecimento”, atesta Cláudio. Um detalhe importante é que, se este gene estiver totalmente inativo, o camundongo morre. A mutação observada acontece em uma pequena região desse gene, que gera todo um fenótipo de neurodegeneração. Porém, as funções vitais dele continuam a ser executadas.

Localização do gene

Esse gene está localizado em uma região do cromossomo que tem uma relação importante com doenças neurológicas. “Ele está no cromossomo 21, que em trissomia provoca a Síndrome de Down. Além disso, está localizado muito próximo de genes que estão diretamente relacionados à manifestação da doença de Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica. Pode ser apenas uma coincidência, mas esta região precisa de fato ser mais estudada”, afirma Masuda.

O link para a copia em formato pdf do artigo completo é: http://www.pnas.org/content/106/7/2097.full.pdf+html?sid=d3cb3220-f31f-4bee-a918-a731a004577c

10/02/2009

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