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IBqM se destaca em periódico internacional

Por Claudia Jurberg

Nos próximos dias, o periódico Journal of Thrombosis and Haemostasis, cujo fator de impacto é 6.291, divulgará o resultado do Pier M. Mannucci Young Investigator Prize winners - um prêmio oferecido aos cinco melhores trabalhos de jovens pesquisadores até 35 anos publicados pela revista no ano anterior. Entre os vencedores, a pesquisadora brasileira Tatiana Lobo, doutoranda do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, que concorreu com mais de 150 artigos.

Tatiana Lobo e seu orientador Robson Monteiro demonstraram, pela primeira vez, a ação antitumoral e antiangiogênica da proteína Ixolaris em tumores cerebrais do tipo glioblastoma. A angiogênese é o processo através do qual as células tumorais estimulam a formação dos novos vasos sanguíneos necessários para o fornecimento dos nutrientes essenciais para o crescimento acelerado do tumor.

O Ixolaris foi descrito em 2002 por dois brasileiros, José Marcos Ribeiro e Ivo Francischetti, que trabalham num laboratório do National Institutes of Health (NIH). O Ixolaris é uma proteína identificada na saliva de uma espécie de carrapato, o Ixodes scapularis, e tem uma função já descrita como anticoagulante. O principal alvo do ixolaris é uma proteína chamada Fator Tecidual, que é capaz de iniciar as reações de coagulação sanguínea.O impacto do estudo da dupla da UFRJ foi ter identificado que o Ixolaris tem uma capacidade de inibir o crescimento tumoral através do bloqueio da formação de novos vasos no tumor.

Para realizar parte deste estudo, Tatiana foi para o Instituto de Química da Universidade de São Paulo, onde realizou experimentos no laboratório da pesquisadora Mari Sogayar. Neste, foi possível utilizar um tipo de camundongo imunodeficiente, denominado nude, no qual se pode inocular subcutaneamente uma linhagem humana e gerar um tumor primário. Os camundongos inoculados com a linhagem de tumor cerebral U87-MG foram tratados com duas doses de Ixolaris por 18 dias. Ao final do tratamento foi observada uma redução de até 80% no tamanho dos tumores. Além disso, estes tumores apresentavam uma dramática diminuição na formação de novos vasos.

Apesar dos bons resultados, Monteiro explica que nem sempre os tumores gerados em animais, a partir de uma linhagem específica, expressam os mesmos alvos vistos nos tumores humanos. A questão fundamental é: o paciente com glioblastoma teria os alvos para o Ixolaris? Ele poderia ser tratado com essa molécula? Tatiana aproveitou sua estada em São Paulo e analisou também amostras de 90 pacientes com tumores cerebrais de diferentes graus e verificou que a proteína alvo do Ixolaris estava presente em grande quantidade nos glioblastomas humanos.

A ideia agora, explica, é entender como isso acontece. Assim, Tatiana embarcou nesta semana para completar seus experimentos no Scripps Research Institute, na Califórnia. “Trabalharei durante um ano num laboratório de referência, um dos pioneiros em demonstrar a relação entre coagulação e câncer. Como eles desenvolveram animais nocautes para proteínas relacionadas com o Fator Tecidual, que é capaz de iniciar reações de coagulação sanguinea, e agressividade tumoral, pretendo dissecar os mecanismos moleculares de ação do Ixolaris para, no futuro, se quisermos aplicar em pacientes, sabermos se esses tem ou não os alvos para o ixolaris, assim, se responderão ou não à molécula”, explica.

O impacto do estudo da dupla da UFRJ foi ter identificado que o Ixolaris tem uma capacidade de inibir o crescimento tumoral através do bloqueio da formação de novos vasos no tumor. Está é uma proposta complexa que, desta vez, será realizada em tumores de mama, diz Monteiro. Ele afirma que o grupo da UFRJ não está preocupado com a ação da molécula sobre um tipo específico de tumor. ”Se funcionar, o Ixolaris pode se tornar uma molécula com ação em qualquer tipo de tumor”, sentencia.

O Ixolaris foi descrito em 2002 por dois brasileiros, José Marcos Ribeiro e Ivo Francischetti, que trabalham num laboratório do National Institutes of Health (NIH). O Ixolaris é uma proteína identificada na saliva de uma espécie de carrapato, o Ixodes scapularis, e tem uma função já descrita como anticoagulante.

09/04/2010

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