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IBqM integra projeto internacional de estudo da esquistossomose

Por Cília Monteiro

Com o objetivo de identificar novas drogas contra a esquistossomose, a Comunidade Europeia financiou o projeto Schistosoma Epigenetics – Targets, Regulation, New Drugs (SEtTReND). O projeto reúne um consórcio de cinco laboratórios europeus e três brasileiros, entre os quais está o de Helmintologia e Entomologia Molecular do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da UFRJ, coordenado pelo professor Marcelo Rosado Fantappié. Foram investidos no total 3,3 milhões de euros no projeto, cuja coordenação está centralizada no Instituto Pasteur, na França.

Há muitos anos, cientistas procuram desenvolver vacinas contra a esquistossomose, através da produção de anticorpos. Essa busca não tem sido satisfatória, já que os resultados obtidos são pouco eficazes. De acordo com Fantappié, o grande diferencial do projeto é não ter como meta a elaboração de vacinas, mas sim a identificação de compostos químicos para interferir em processos biológicos essenciais à sobrevivência do parasita Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose.

Os alvos das drogas estudadas são Enzimas Modificadoras de Histonas (HMEs). “As HMEs têm sido alvos terapêuticos para diversas doenças, principalmente o câncer. Essas enzimas agem principalmente no controle da transcrição gênica, modificando a estrutura da cromatina do DNA”, explica Fantappié.

O projeto prevê a clonagem das HMEs do Schistosoma mansoni, a determinação de suas estruturas tridimensionais e, futuramente, estudos de inibição in vivo, em animais. “Testaremos potenciais drogas e os estudos farmacológicos serão feitos por uma indústria farmacêutica europeia, a iNovacia, que faz parte do consórcio”, conta o pesquisador.

A identificação de enzimas no parasita é feita por métodos de bioinformática. “Os genes que codificam para as HMEs no parasita já estão sendo clonados, enquanto as proteínas recombinantes são produzidas em bactérias, baculovírus (vírus que infectam invertebrados) ou leveduras, para os estudos de atividades biológicas”, aponta o pesquisador. Três genes já foram clonados e as proteínas estão em processos de cristalização para futura determinação de suas estruturas.

Segundo ele, também é importante a determinação das estruturas tridimensionais, pois elas permitem conhecer as formas das proteínas. Isso é essencial não apenas para se tentar sintetizar novos compostos, mas também para a utilização de outros já existentes, que interajam com as proteínas e inibam suas atividades biológicas.

Apesar do projeto ter financiamento de três anos, Fantappié acredita que a identificação de um composto eficaz deverá demorar mais tempo.Os outros laboratórios brasileiros envolvidos no consórcio são o Sérgio Verjovski, da Universidade de São Paulo (USP) e o do Guilherme Oliveira, no René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

09/06/2010

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