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Dieta contra Alzheimer

Marina Verjovsky

Cientistas brasileiros começam a testar em humanos uma nova substância de prevenção ao Alzheimer. O método consiste na simples reposição de um aminoácido chamado taurina, que é abundante no cérebro de jovens e diminui sua concentração conforme o avanço da idade.

O grupo comandado pelo pesquisador Sérgio Teixeira Ferreira, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, descobriu o efeito da taurina a partir de estudos que buscavam entender como as proteínas presentes no cérebro estimulam a doença e afetam os neurônios.

Há dez anos, já se sabia que um dos principais vilões do Alzheimer são fragmentos de proteínas chamados de oligômeros. Eles estão presentes no cérebro de idosos e são tóxicos aos neurônios. Porém, não se sabia como atuam.

Então, a equipe da UFRJ identificou recentemente que esses fragmentos se ligam a partes importantes dos neurônios, o que atrapalha a “conversa” entre eles. Por exemplo, os oligômeros reforçam muito a interação das células neurais com outro aminoácido, chamado glutamato. "O glutamato é a principal fonte de excitação do neurônio, sem ele não existe memória", explica Ferreira. "Porém, em excesso, é prejudicial e pode levar à perda de memória e até à morte do neurônio".

Assim, quando há uma ligação muito forte do glutamato, o neurônio fica desregulado, o que faz a pessoa perder a memória. Portanto, esta seria a etapa correspondente aos primeiros sintomas da doença. Depois de um tempo, este neurônio morre, o que acarreta em danos mais graves e na progressão do Alzheimer (como a perda de capacidade motora).

Até hoje ainda não é possível ressuscitar neurônios que já morreram, mas existe um antídoto contra essa desregulação – é aí que entra a taurina. Ferreira conta que sua equipe já verificou, em neurônios cultivados em laboratório, que o aminoácido taurina anula os efeitos danosos provocados pelos oligômeros e glutamato e restabelece a saúde das células.

Como se trata de uma substância segura, que já é usada clinicamente para tratar outras enfermidades, a equipe já começará a testar em grupos de idosos se a reposição desse aminoácido é capaz de prevenir ou até resgatar a perda de memória. Para isso, eles já formaram parceria com um hospital carioca e procuram por mais clínicos que possam organizar grandes grupos de idosos saudáveis (e constantemente monitorados), interessados em participar como voluntários.

Ao mesmo tempo, o grupo testará o efeito da taurina em camundongos, geneticamente modificados para apresentarem a doença de Alzheimer. Assim, acompanharão as possíveis modificações no cérebro dos animais.

Vale lembrar que a taurina é freqüentemente adicionada às bebidas energéticas e também pode ser encontrada em alimentos de origem animal - como peixes, frutos do mar, aves e carne bovina. "Porém, é preciso realizar os testes para saber quanto do aminoácido é permitido ingerir", ressalva Ferreira. "Mas se funcionar, será realmente uma solução muito simples", torce.

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