::: NOTÍCIAS :::

 

Salsa no prato e no frasco

Priscila Biancovilli

Planta aromática bastante utilizada na culinária mundial, a salsa – cientificamente conhecida por Petroselinum crispum - agora está a um passo de se transformar em grande aliada na prevenção e inibição da trombose. Uma pesquisa desenvolvida em conjunto pelo Instituto de Bioquímica Médica (IBqM), o Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais (NPPN) e a Universidade do Porto, em Portugal, estuda as propriedades anti-coagulantes e anti-plaquetárias do vegetal. Um dos experimentos realizados in vivo mostrou 100% de atividade inibitória na formação de trombos em ratos. Recentemente, a pesquisa conquistou o 2º lugar no Prêmio Henri Nestlé, concedido aos trabalhos de maior relevância nas áreas de nutrição e saúde, com o trabalho “O importante potencial terapêutico da salsa, um alimento funcional, na prevenção da trombose” do doutorando Douglas Siqueira Chaves, orientado pela Profa. Sônia S. Costa (NPPN), e das doutorandas Flavia Frattani e Mariane Assafim (IBqM).

Existem muitos relatos na cultura popular de que a salsa “afina” o sangue. Este fato serviu como importante indício de uma possível atividade anti-trombótica do vegetal. Os chás da planta são há muito tempo utilizados com esta função, em diversas regiões no país. De acordo com o artigo de Siqueira Chaves, “já no terceiro século antes de Cristo os gregos usavam esta erva na alimentação”. Muito difundida por todos os continentes, se tornou tão popular que passou a ser o condimento mais empregado na cozinha no dia-a-dia. É conhecida por sua ação diurética e por estimular a menstruação, bem como pela ação preventiva contra as doenças cardiovasculares. 

“Nossa intenção, no início da pesquisa, era descobrir se a salsa poderia ser usada como alimento funcional (recomendado para uso constante). Hoje sabemos que a administração diária de concentrações relativamente baixas de salsa previne muito bem a formação de trombos. Isso mostra que será possível, quem sabe, uma futura criação de pílulas de salsa”, explica a professora Russolina Zingali, professora do Laboratório de Hemostase e Venenos do Instituto de Bioquímica Médica.

Nos primeiros testes com animais, o grupo observou que houve diminuição do crescimento de trombos, aliado a efeitos colaterais pouco agressivos. Normalmente, substâncias anti-trombóticas podem apresentar hemorragia. A salsa, nas doses testadas, não provocou este efeito. “Douglas, no NPPN, fez a caracterização química do perfil dos elementos presentes no extrato de salsa, e nós, da Bioquímica, estudamos a atividade biológica”, afirma a professora.

Um dos próximos passos da pesquisa é o fracionamento biomonitorado do extrato, para que se descubram as substâncias que agem contra a trombose. Este processo é de fundamental importância, pois possibilita que se criem formulações apenas com os princípios ativos, não mais com a planta inteira. “Também pretendemos estudar outras variedades da mesma planta. Os vegetais usados como medicamento ou alimento nutricional estão sujeitos a um estrito controle de qualidade rigoroso, porque qualquer mudança ambiental pode gerar alterações na composição química da planta, prejudicando a expressão dos princípios ativos. Por isso, devemos estudar a melhor época do ano para coleta da salsa, a fase de crescimento mais adequada da planta, a eficiência das variedades de salsa disponíveis no mercado, entre outros fatores”, finaliza a professora.

02/09/2008

UFRJ
IBqM UFRJ/CCS/Bl. H,
Cid. Universitária - Ilha do Fundão
Cep 21.941-590 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Tel. +55 21 2562-6789 / Fax. +55 21 2270-8647