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Uma nova alternativa no combate à esquistossomose

Natalia Shimada

Projeto do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM), em colaboração com o Instituto Militar de Engenharia (IME), testa inibidor para o desenvolvimento de uma nova droga contra a esquistossomose. A equipe do Departamento de Química Orgânica do IME, responsável pela síntese da substância, propôs uma parceria ao grupo do pesquisador Marcelo Fantappié (IBqM). Desde então, as duas instituições trabalham em conjunto na realização de testes para verificar a eficácia do inibidor.

A molécula em questão neutralizaria a ação da HMGB1, uma proteína com potente atividade pró-inflamatória, que age como uma citocina. Na tentativa de combater a infecção causada pelo parasita, a citocina atua gerando uma inflamação grave no fígado do doente. A droga que os pesquisadores desejam desenvolver diminuiria a inflamação, principal sintoma da doença. Desse modo, o remédio não destruiria o parasita, mas amenizaria significativamente o sofrimento de seus portadores.

Os testes em culturas de células já foram iniciados. Os cientistas pretendem observar se o composto sintetizado pelo grupo do IME é mesmo capaz de inibir a ação da citocina. Ele tem características estruturais semelhantes a outros inibidores da HMGB1, utilizados no tratamento de inflamações, como a sepse. Por isso, os pesquisadores estão muito otimistas com relação aos resultados. Além disso, a síntese do composto é rápida e de baixo custo, o que agiliza os procedimentos in vitro.

O próximo passo será a realização de testes em animais infectados com o parasita. Os pesquisadores já enviaram a proposta de financiamento do projeto para a Faperj e aguardam o julgamento para iniciar a próxima etapa.

Sobre a esquistossomose

A esquistossomose é uma doença tropical causada por parasitas platelmintos do gênero Schistosoma. Eles penetram na pele humana e se deslocam para o fígado, onde chegam à fase adulta, reproduzem-se e migram para outros órgãos, através da circulação sanguínea. Atualmente, apenas uma droga é eficaz no tratamento da doença. O Praziquantel é capaz de matar o parasita adulto, mas há efeitos colaterais e já existem casos de resistência ao remédio, o que deixa os pacientes sem alternativa.

As inflamações crônicas são responsáveis pela alta taxa de morbidade entre os infectados, causando graves problemas sócio-econômicos nas regiões em que a esquistossomose é endêmica. A Organização Mundial de Saúde estima que 300 milhões de pessoas são portadoras do parasita, a maioria delas na África e na América Latina. No Brasil, são 2,5 milhões de casos e 200 mil pessoas morrem por ano, em decorrência dos sintomas da doença.


02/07/2008

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